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Profissão motorista6 min de leitura06 de novembro de 2025

O segundo turno da moto: a rotina de quem entrega à noite para sustentar a casa em Comodoro

Trabalhar o dia inteiro e sair de moto à noite para fazer entregas virou rotina no interior. Veja os números do IBGE sobre o trabalho por aplicativos e como a habilitação transforma o bico em profissão.

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Equipe Auto Escola Exclusiva

13 anos formando motoristas em Comodoro-MT

Às 18h, quando o expediente acaba, começa o outro turno. O capacete sai do armário, a jaqueta ainda guarda o cheiro da poeira vermelha da tarde e a moto sai da garagem enquanto Comodoro começa a acender as luzes. Em uma cidade de pouco mais de 18 mil habitantes, onde todo mundo conhece todo mundo, há uma segunda cidade que só aparece depois do jantar: a dos entregadores.

Ele tem 27 anos. De dia, carteira assinada. À noite, entregas — lanche, remédio da farmácia de plantão, a compra que alguém esqueceu. Antes de sair, tem sempre o mesmo ritual: entra no quarto na ponta do pé e dá um beijo na testa da Amanda, 2 anos, que dorme abraçada no bichinho de pelúcia. É por ela. Sempre foi.

Eu não entrego lanche. Eu entrego a fralda dela, o leite dela, o aniversário dela no fim do ano.

Retrato de um entregador de Comodoro-MT

Tem noite de chuva em que a estrada de terra da saída do bairro vira sabão. Tem noite de frio, de cansaço, de vontade de desistir no meio do caminho. E tem a conta que chega igual todo mês. Ele aprendeu a contar o dia em corridas: dez pagam o gás, vinte pagam a creche, trinta sobra alguma coisa para guardar. E o que ele guarda tem nome — não é reserva, é futuro da filha.

Não é um caso isolado: os números confirmam o que se vê na rua

Essa cena se repete em milhares de cidades pequenas do Brasil. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, cerca de 2 milhões de brasileiros trabalhavam por meio de plataformas digitais em 2025, com jornada média de 44,7 horas semanais e ganho por hora 12% menor que o dos demais trabalhadores. Não é preguiça: é gente trabalhando mais para receber o mesmo.

Os dados completos da pesquisa do IBGE foram divulgados pelo G1.

G1: quase 2 milhões de pessoas trabalham por aplicativos no Brasil, mostra o IBGE

  • 585 mil pessoas trabalham em aplicativos de entrega de comida e produtos no país;
  • o grupo que tem o aplicativo como trabalho principal cresceu quase 37% desde 2022;
  • a maioria atua por conta própria, sem vínculo e com alta informalidade;
  • a jornada semanal é maior que a dos demais trabalhadores — e o rendimento por hora, menor.

O recorte por tipo de aplicativo e o crescimento desde 2022 estão detalhados na Folha.

Folha de S.Paulo: trabalhadores de apps têm jornada maior e contribuem menos para o INSS

O Ipea, em estudo sobre plataformização do trabalho, mostrou que motoristas e entregadores passaram a trabalhar mais horas ganhando menos ao longo dos anos. Ou seja: o bico funciona como socorro imediato, mas dificilmente resolve sozinho a vida de quem sustenta uma casa.

A análise do Ipea a partir dos dados do IBGE está resumida nesta reportagem.

O Globo: estudo do Ipea sobre jornada e renda de motoristas e entregadores

A virada: quando dirigir deixa de ser bico e vira profissão

Existe um ponto em que a conta muda de lado. É quando a direção deixa de ser o improviso da noite e passa a ser a profissão do dia. O caminhoneiro que leva grão da nossa região, o motorista de ônibus das linhas intermunicipais, o motorista de carreta que cruza Mato Grosso: todos passaram pelo mesmo caminho, a mudança de categoria da CNH.

E a renda de quem vive de dirigir começou a ser levada a sério inclusive pelos bancos: a Caixa passou a aceitar rendimentos obtidos em plataformas digitais na análise de crédito imobiliário — o sonho da casa própria entrando na conta de quem trabalha no volante.

O InfoMoney reuniu os rendimentos médios apurados pelo IBGE e a mudança na análise de crédito.

InfoMoney: quanto ganha um motorista de aplicativo e como a renda entra no financiamento

Os números oficiais estão publicados na Agência de Notícias do IBGE.

Fonte oficial: Agência IBGE sobre o crescimento do trabalho por aplicativos

Por onde começar aqui em Comodoro

  • Ainda não tem CNH? O caminho é a primeira habilitação na categoria AB — moto e carro no mesmo processo.
  • Já tem a categoria B? A mudança para C, D ou E abre as portas de caminhão, ônibus e carreta.
  • Vai dirigir profissionalmente nas categorias C, D e E? O exame toxicológico faz parte do processo.
  • Não sabe por onde começar? A nossa equipe explica cada etapa e organiza a papelada com você.

A Amanda ainda não entende o que o pai faz à noite. Um dia vai entender — e a história que ela vai ouvir pode terminar de um jeito diferente: o pai que parou de correr atrás de corrida para virar motorista profissional. Na Auto Escola Exclusiva, esse caminho é explicado sem enrolação e com parcelamento para caber no bolso de quem já está apertado.

Todo mundo começa com um bico. Poucos descobrem que ali dentro tinha uma profissão esperando.

Equipe Auto Escola Exclusiva

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