O segundo turno da moto: a rotina de quem entrega à noite para sustentar a casa em Comodoro
Trabalhar o dia inteiro e sair de moto à noite para fazer entregas virou rotina no interior. Veja os números do IBGE sobre o trabalho por aplicativos e como a habilitação transforma o bico em profissão.
Equipe Auto Escola Exclusiva
13 anos formando motoristas em Comodoro-MT
Às 18h, quando o expediente acaba, começa o outro turno. O capacete sai do armário, a jaqueta ainda guarda o cheiro da poeira vermelha da tarde e a moto sai da garagem enquanto Comodoro começa a acender as luzes. Em uma cidade de pouco mais de 18 mil habitantes, onde todo mundo conhece todo mundo, há uma segunda cidade que só aparece depois do jantar: a dos entregadores.
Ele tem 27 anos. De dia, carteira assinada. À noite, entregas — lanche, remédio da farmácia de plantão, a compra que alguém esqueceu. Antes de sair, tem sempre o mesmo ritual: entra no quarto na ponta do pé e dá um beijo na testa da Amanda, 2 anos, que dorme abraçada no bichinho de pelúcia. É por ela. Sempre foi.
“Eu não entrego lanche. Eu entrego a fralda dela, o leite dela, o aniversário dela no fim do ano.”
Tem noite de chuva em que a estrada de terra da saída do bairro vira sabão. Tem noite de frio, de cansaço, de vontade de desistir no meio do caminho. E tem a conta que chega igual todo mês. Ele aprendeu a contar o dia em corridas: dez pagam o gás, vinte pagam a creche, trinta sobra alguma coisa para guardar. E o que ele guarda tem nome — não é reserva, é futuro da filha.
Não é um caso isolado: os números confirmam o que se vê na rua
Essa cena se repete em milhares de cidades pequenas do Brasil. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, cerca de 2 milhões de brasileiros trabalhavam por meio de plataformas digitais em 2025, com jornada média de 44,7 horas semanais e ganho por hora 12% menor que o dos demais trabalhadores. Não é preguiça: é gente trabalhando mais para receber o mesmo.
Os dados completos da pesquisa do IBGE foram divulgados pelo G1.
G1: quase 2 milhões de pessoas trabalham por aplicativos no Brasil, mostra o IBGE
- 585 mil pessoas trabalham em aplicativos de entrega de comida e produtos no país;
- o grupo que tem o aplicativo como trabalho principal cresceu quase 37% desde 2022;
- a maioria atua por conta própria, sem vínculo e com alta informalidade;
- a jornada semanal é maior que a dos demais trabalhadores — e o rendimento por hora, menor.
O recorte por tipo de aplicativo e o crescimento desde 2022 estão detalhados na Folha.
Folha de S.Paulo: trabalhadores de apps têm jornada maior e contribuem menos para o INSS
O Ipea, em estudo sobre plataformização do trabalho, mostrou que motoristas e entregadores passaram a trabalhar mais horas ganhando menos ao longo dos anos. Ou seja: o bico funciona como socorro imediato, mas dificilmente resolve sozinho a vida de quem sustenta uma casa.
A análise do Ipea a partir dos dados do IBGE está resumida nesta reportagem.
O Globo: estudo do Ipea sobre jornada e renda de motoristas e entregadores
A virada: quando dirigir deixa de ser bico e vira profissão
Existe um ponto em que a conta muda de lado. É quando a direção deixa de ser o improviso da noite e passa a ser a profissão do dia. O caminhoneiro que leva grão da nossa região, o motorista de ônibus das linhas intermunicipais, o motorista de carreta que cruza Mato Grosso: todos passaram pelo mesmo caminho, a mudança de categoria da CNH.
E a renda de quem vive de dirigir começou a ser levada a sério inclusive pelos bancos: a Caixa passou a aceitar rendimentos obtidos em plataformas digitais na análise de crédito imobiliário — o sonho da casa própria entrando na conta de quem trabalha no volante.
O InfoMoney reuniu os rendimentos médios apurados pelo IBGE e a mudança na análise de crédito.
InfoMoney: quanto ganha um motorista de aplicativo e como a renda entra no financiamento
Os números oficiais estão publicados na Agência de Notícias do IBGE.
Fonte oficial: Agência IBGE sobre o crescimento do trabalho por aplicativos
Por onde começar aqui em Comodoro
- Ainda não tem CNH? O caminho é a primeira habilitação na categoria AB — moto e carro no mesmo processo.
- Já tem a categoria B? A mudança para C, D ou E abre as portas de caminhão, ônibus e carreta.
- Vai dirigir profissionalmente nas categorias C, D e E? O exame toxicológico faz parte do processo.
- Não sabe por onde começar? A nossa equipe explica cada etapa e organiza a papelada com você.
A Amanda ainda não entende o que o pai faz à noite. Um dia vai entender — e a história que ela vai ouvir pode terminar de um jeito diferente: o pai que parou de correr atrás de corrida para virar motorista profissional. Na Auto Escola Exclusiva, esse caminho é explicado sem enrolação e com parcelamento para caber no bolso de quem já está apertado.
“Todo mundo começa com um bico. Poucos descobrem que ali dentro tinha uma profissão esperando.”
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